[Intro]
[Verse]
O relógio na parede corta o silêncio com seu compasso seco
Quatro paredes apertam o peito onde o medo faz o seu eco
De joelhos sobre o chão frio deixo o peso da alma escorrer
No escuro deste quarto a dor é a única coisa que vejo crescer
Minhas mãos trêmulas buscam o céu que parece tão distante
Uma prece cansada vira um desabafo em um instante
[Verse]
A luz da lua entra pela fresta como um fio de esperança
Falo de fardos que me roubam o sono e a lembrança
De tempos em que o riso não era uma máscara de papel
Derramo as lágrimas que guardei sob este véu cruel
Conto as batalhas perdidas e as causas sem solução
Entregando as ruínas de um castelo erguido na solidão
[Chorus]
Filho o teu dilema é poeira diante do meu imenso olhar
O que te tira o fôlego não consegue sequer me tocar
O processo que te fere é apenas um rascunho em minhas mãos
Eu domino as leis e mudo o veredito de todos os corações
Eu governo a tempestade e o barco que parece afundar
Estou no comando do tempo e do modo como vou te curar
[Bridge]
Abandone essa carga que te faz curvar as costas pro chão
Solte as amarras que prendem teus pés nessa escuridão
A voz que ergueu os montes agora sopra em teu ouvido
Um sopro de vida para o espírito que estava esquecido
Não há porta trancada que a minha vontade não possa abrir
Nem sentença assinada que eu não consiga destruir
[Verse]
O silêncio agora é doce e o aperto no peito se desfaz
Onde havia o espinho a minha mão planta a semente da paz
Acalma o pulsar desse sangue que corre com tanto receio
Repousa a cabeça no colo de quem sabe o teu anseio
O que era nó cego se torna um laço de pura entrega
A luz da manhã já desponta e a sombra enfim se nega
[Pre-Chorus]
Apenas confie no passo que ainda não podes enxergar
Descanse a mente no abraço que vem pra te sustentar
O choro que transbordou agora se torna água limpa
A fé que era brasa agora é a chama que te atiça
[Chorus]
Filho o teu dilema é poeira diante do meu imenso olhar
O que te tira o fôlego não consegue sequer me tocar
O processo que te fere é apenas um rascunho em minhas mãos
Eu domino as leis e mudo o veredito de todos os corações
Eu governo a tempestade e o barco que parece afundar
Vou agir na tua história e um testemunho novo vou te entregar
[Outro]