Você que viu meu inspirado,
sabe que há em mim um ser motivado
que, na mata desse caminho
desconhecido,
sentiu o cheiro de tinta fresca
e se percebeu embutido.
Escrever ao perceber
que o cheiro tem a ver,
tem a ver com o início
de casa nova,
de vida cheia
como a chuva.
No fim da tarde o sol se põe.
Tudo ali é vida:
luz
e chuva fina
que ainda molha a vida.
E aquilo que poderia ir,
insiste em ficar,
mesmo fraco —
bonito para alegrar o recomeço
de quem percebeu
que a vida é mais que o acordar matutino.
É viver,
sentir,
pensar,
reviver,
comemorar,
recomeçar.
Viver além.
Sonhos contemplar
além do mar.
Em meu esforço sincero,
viver é escrever.
Escrever
é eternizar.
Se eu penso,
consigo.
Quando consigo pensar,
vá — conte
que me viu sozinho:
sonhando,
suando,
vivendo meu intenso sentir,
intenso pensar.
Com medo,
sem cores,
cheiros sem flores —
mas com todos os sentidos
atentos.
Atentos.
Eu, sim, fiz isso.