Na obra "Utopia", do escritor Thomas More, é retratada uma sociedade ideal, na qual os cidadãos desfrutam de pleno bem-estar social. Entretanto, fora da ficção, a realidade brasileira distancia-se desse cenário, sobretudo no que diz respeito ao desafio das fake news no cotidiano escolar. Nesse contexto, torna-se necessário analisar os fatores que contribuem para a persistência desse problema, entre os quais se destacam a negligência governamental e a insuficiência do debate social acerca da educação midiática.
Em primeiro lugar, vale ressaltar que a omissão do Estado contribui significativamente para a perpetuação dessa problemática. Segundo o filósofo John Locke, é dever do governo garantir condições adequadas para o bem-estar da população. Contudo, na realidade brasileira, observa-se a escassez de investimentos em políticas públicas voltadas à educação digital e ao combate à desinformação nas escolas. Como consequência, muitos estudantes tornam-se vulneráveis à circulação de conteúdos falsos, o que compromete o processo de aprendizagem e a formação de cidadãos críticos. Dessa forma, a inércia estatal atua como um dos principais fatores responsáveis pela manutenção desse cenário.
Além disso, a falta de debate na sociedade civil favorece a continuidade do problema. Conforme a filósofa Hannah Arendt, o silêncio e a indiferença diante das questões coletivas contribuem para o fortalecimento das adversidades sociais. Nessa perspectiva, a pouca discussão sobre os impactos das fake news no ambiente escolar faz com que a desinformação seja frequentemente naturalizada. Consequentemente, informações falsas passam a influenciar opiniões e comportamentos dos estudantes, dificultando a construção de uma visão crítica da realidade. Logo, enquanto a sociedade não reconhecer a gravidade dessa questão, sua resolução permanecerá distante.
Portanto, medidas devem ser adotadas para mitigar esse impasse. Cabe ao Governo Federal, por intermédio do Ministério da Educação, ampliar os investimentos em programas de educação midiática nas instituições de ensino, por meio da criação de projetos, materiais didáticos e capacitações para professores. Paralelamente, os meios de comunicação devem promover campanhas educativas em redes sociais, televisão e plataformas digitais, com o objetivo de conscientizar a população sobre os riscos da desinformação e incentivar a verificação das informações consumidas. Assim, será possível reduzir os impactos das fake news no cotidiano escolar e aproximar o Brasil do modelo de sociedade idealizado por Thomas More.