Rita existe,
mas não pode existir.
Se alguém perguntar por ela,
nunca passou por aqui.
Não tem foto, não tem nome,
documento ou profissão.
Não frequenta aniversário
nem almoço de família, não.
Todo mundo é muito sério,
todo mundo é cidadão.
De manhã condena Rita,
de noite muda de opinião.
Rita existe? — Eu? Nunca vi Rita!
Rita passou? — Não passou por aqui!
Mas quando a noite chega
e a porta fecha devagar,
quem não conhece Rita
sabe até onde encontrar.
Tem sujeito de respeito,
bons costumes, tradição,
que condena qualquer excesso
com firmeza e convicção.
Toma uma, toma duas,
na terceira fica zen.
Na quarta fala de Rita,
na quinta conhece bem.
Rita existe? — Eu? Nunca vi Rita!
Rita passou? — Não passou por aqui!
Mas quando a noite chega
e a porta fecha devagar,
quem não conhece Rita
sabe até onde encontrar.
Quem proíbe sabe tudo,
quem conhece fica mudo.
Quem jamais ouviu falar
sabe até como chegar.
Tem pedra pelo caminho,
tem fantasma no salão,
tem parede respirando
e relógio sem função.
Tem um sábio explicando
o que ninguém deve fazer.
Cinco minutos depois
ninguém sabe onde foi se meter.
Eu não defendo Rita,
nem pretendo condenar.
Cada um cuide da vida
que consegue administrar.
Porque de dia Rita é pecado,
de noite é assunto particular.
Rita não é proibida,
meu amigo...
proibido é confessar.
Rita existe? — Eu? Nunca vi Rita!
Rita passou? — Não passou por aqui!
Se perguntarem amanhã,
também não estava ali.
E se alguém jurar que viu,
deve ter se confundido.
Rita?
Que Rita?
Nunca ouvi falar...
Ô RITAAAA!