Tem pedra no meio do caminho,
tem caminho no meio do bar,
tem fantasma puxando cadeira,
tem loucura querendo ficar.
Tem passado pedindo carona,
tem futuro querendo saber.
Se a vida pergunta demais,
abre uma que eu vou responder.
Traz a cerveja gelada,
que hoje ninguém vai sofrer.
Rita conhece a história,
mas não precisa dizer.
Tem pedra, fantasma e loucura,
tem coisa que eu nem vou contar.
Se amanhã o mundo termina,
hoje nós vamos brindar.
Carne na brasa, fumaça,
farofa caindo no chão.
Tem filósofo na churrasqueira
e poeta abraçado ao carvão.
Um jura que entende da vida,
outro garante saber.
Eu já desisti dessa briga,
só não deixa a cerveja aquecer.
Traz a cerveja gelada,
que hoje ninguém vai sofrer.
Rita conhece a história,
mas não precisa dizer.
Tem pedra, fantasma e loucura,
tem coisa que eu nem vou contar.
Se amanhã o mundo termina,
hoje nós vamos brindar.
Já conversei com fantasmas,
alguns até gostam de mim.
Um perguntou onde eu ia.
Respondi: vou indo até o fim.
Se o fim for depois da esquina,
com mesa, cadeira e balcão,
eu volto com outra existência
e a mesma velha confusão.
Já fui silêncio e barulho,
já fui certeza e depois.
Já tropecei numa pedra
e ainda culpei o chão.
Procurei resposta no alto,
procurei resposta no chão.
No fim encontrei meu copo
bem perto do coração.
E Rita?
RITA SABE!
Sabe da pedra...
RITA SABE!
Do copo...
RITA SABE!
Dos fantasmas...
RITA SABE!
E da confusão?
ESSA ELA SABE DEMAIS!
Mas certas histórias da vida
não pedem explicação.
Traz a cerveja gelada,
que ainda tem carne pra assar.
Rita conhece o segredo,
mas deixa o segredo ficar.
Tem pedra no nosso caminho,
fantasma querendo sambar.
E loucura suficiente
pra vida não se acomodar.
Quando chegar minha hora,
ninguém precisa correr.
Acende outra churrasqueira,
bota o samba pra ferver.
Se houver outro lado da vida,
guarda uma mesa pra mim.
Se não houver coisa nenhuma...
ABRE OUTRA!
Que esta ainda não chegou ao fim.
RITA SABE!
Quem sabe?
RITA SABE!
Então deixa pra lá...
E ABRE OUTRA!