Rita se foi...
O relógio parou.
A cama está cheia de nada,
E o sono também me deixou.
São três da manhã, ou talvez seja ontem,
O teto conversa com o ventilador.
A lua tropeça na ponta do monte,
E eu procurando o que Rita levou.
Na mesa, um copo, um disco riscado,
Um pensamento querendo escapar.
O gato me olha, parece informado,
Mas finge que não sabe onde ela está.
E eu, acordado,
De olhos fechados,
Com os pés no futuro
E a cabeça em mil pedaços!
Rita se foi!
E eu continuo acordado!
Meu corpo está parado,
Meu pensamento acelerado!
Rita se foi!
Levou meu juízo também!
Deixou uma pedra na sala,
E mil ideias sem ninguém!
A porta está aberta, a janela está torta,
O mundo parece um enorme quintal.
Minha cabeça conversa com a porta,
Que diz que está tudo perfeitamente normal.
A Rita era Rita, ou seria miragem?
Um pequeno universo na palma da mão.
Partiu sem bilhete, sem deixar passagem,
E agora tem festa na minha razão.
Rita, Rita, Rita...
Minha mente levita!
Rita, Rita, Rita...
A madrugada me irrita!
A parede respira,
O retrato me fita,
A cadeira conspira,
E o relógio palpita!
Um, dois, três, quatro...
Perdi a conta no quarto!
Cinco, seis, sete, oito...
Já é amanhã ou ainda é ontem?
Já são quase seis, o café está frio,
O sol vem chegando sem pedir licença.
Minha cabeça atravessa um rio,
Enquanto meu corpo negocia a presença.
Não sei se levanto, não sei se espero,
Não sei se começo ou termino o que fiz.
Se Rita voltar, já não sei se eu quero,
Mas deixo uma xícara perto de mim.
Rita se foi!
E eu continuo acordado!
Meu corpo está parado,
Meu pensamento acelerado!
Rita se foi!
Levou meu juízo também!
Deixou uma pedra na sala,
E mil ideias sem ninguém!
Rita se foi...
O dia chegou...
O relógio voltou...
Eu continuo acordado.
O gato dormiu.
E a Rita...
Nem avisou.