Ê, roda, roda, deixa rodar!
O sol tá quente, eu quero sambar!
Ê, roda, roda, meu coração,
Tem festa bonita no meu barracão!
Eu tinha um trono, tinha uma coroa,
Vivia esperando a sorte chegar.
Até que o vento bateu na janela,
Soprou no meu ouvido: vem sambar!
Tirei a coroa, soltei meu cabelo,
Pisei nessa terra, senti meu lugar.
A luz que eu buscava morava aqui dentro,
Agora é meu tempo de rir e cantar!
Roda, roda, minha saia!
Deixa a vida balançar!
Quem nasceu pra ser feliz
Não nasceu pra esperar!
Roda, roda, minha saia!
Deixa o povo acompanhar!
Tem sol, tem samba, cerveja gelada,
E ninguém vai me segurar!
Botei meu brinco, passei meu perfume,
Tomei meu banho pra me refrescar.
Chamei a vizinha, ajeitei minha saia,
O couro bateu, comecei a sambar!
Sábado é festa, domingo é alegria,
Segunda que espere, não vou me apressar.
O tempo não volta, não fica parado,
E eu tenho é vontade de aproveitar!
Roda, roda, minha saia!
Deixa a vida balançar!
Quem nasceu pra ser feliz
Não nasceu pra esperar!
Tem folha no vento, tem água no rio,
Tem fogo na alma pra me aquecer.
Tem força da terra firmando meus passos,
Tem bênção antiga pra me proteger!
Eu peço licença, respeito o sagrado,
O couro responde, me chama a girar.
A fé vai comigo, a luz me acompanha,
E os meus próprios pés sabem onde pisar!
Cadê meu trono?
Ficou pra trás!
Cadê a tristeza?
Não quero mais!
Cadê meu samba?
Tá no terreiro!
E a cervejinha?
Tá no gelo!
Roda, roda, minha saia!
Deixa a vida balançar!
Quem nasceu pra ser feliz
Não nasceu pra esperar!
Roda, roda, minha saia!
Deixa o povo acompanhar!
Tem sol, tem samba, cerveja gelada,
E ninguém vai me segurar!
Se a vida me chamar?
Eu vou sambar!
Se a tristeza voltar?
Deixa passar!
Ê, roda, roda, deixa rodar!
Quem tem luz própria nasceu pra brilhar!
E quando o samba acabar?
Vai começar!
Roda, roda, minha saia!
Que essa roda não pode parar!