[Intro]
[MC 1]
Sem dono, sem coleira, sem promessa comprada.
[MC 2]
Duas vozes na rua, nenhuma ajoelhada.
[Verso 1 — MC 1]
Querem meu voto, meu silêncio, minha cara no cartaz,
Mas o bairro conta os cortes que o discurso não refaz.
No palanque é mão no peito, na viela é mão no bolso,
Fazem festa com a verba, deixam fome no almoço.
Não me vendo por bandeira, não me alinho a diretório,
Nem aceito salvador fantasiado de notório.
Se a cadeira vira escudo pra esconder corrupção,
Vou dizer na cara: chega de sugar a população.
[Verso 2 — MC 2]
Prometeram escola nova, a parede segue em pó,
Prometeram posto aberto, quem espera fica só.
Tua gravata não apaga o recibo nem a fila,
Tem família repartindo o pouco enquanto a conta desfila.
Não me chama de soldado do teu lado ou do rival,
Minha lealdade é com quem sente o peso desigual.
Se o poder quer reverência, vai ouvir minha recusa:
Quem explora o próprio povo não merece desculpa.
[Refrão — Ambos]
Sem bandeira no meu peito, sem partido a me guiar,
Não me dobro, não me vendo, não vou me ajoelhar.
Mão no alto? Só pra erguer quem ficou sem proteção.
Povo não é degrau pra enriquecer ladrão.
Sem bandeira no meu peito, sem partido a me guiar,
Não me dobro, não me vendo, não vou me ajoelhar.
[Verso 3 — MC 1]
Eu vi a conta atrasada, vi o prato dividido,
Vi o chefe dar entrevista e chamar isso de progresso.
Teu discurso vem polido, mas o dano é conhecido,
Cada corte tem um rosto, cada atraso tem endereço.
[MC 2]
Não me compra com um slogan, não me cala com favor,
Não confundo uma promessa com respeito ao trabalhador.
Se a verdade incomoda, então encara o que ela diz:
Quem se serve da miséria não trabalha pelo país.
[Ponte — MC 1 / MC 2]
[MC 1] Não pertenço à tua máquina.
[MC 2] Não ajoelho ao teu poder.
[MC 1] Minha voz não tem etiqueta.
[MC 2] Minha rua vai responder.
[Refrão — Ambos]
Sem bandeira no meu peito, sem partido a me guiar,
Não me dobro, não me vendo, não vou me ajoelhar.
Mão no alto? Só pra erguer quem ficou sem proteção.
Povo não é degrau pra enriquecer ladrão.
Sem bandeira no meu peito, sem partido a me guiar,
Não me dobro, não me vendo, não vou me ajoelhar.
[Outro — Ambos]
Sem dono.
Sem favor.
Sem joelho no chão.
A rua não é tua.
O povo não é teu.