Cada ser humano é um universo em miniatura. Cada ser humano tem aspirações diferentes entre si. Eu vejo como uma tônica geral, que deveria ser objeto, que deveria ser escopo do projeto educacional do nosso país, o desenvolvimento, em cada ser humano, do respeito pelo seu semelhante. Na medida em que aprendermos que a matéria com a qual cada um de nós é feita é idêntica à matéria com que todos os outros são feitos, na medida em que cada um de nós tiver consciência de que não há nada de intrinsecamente diferente que nos separe uns dos outros e na medida em que tivermos consciência de que a palavra “semelhante” quer dizer realmente “semelhante”, nós todos nos respeitaremos mais. Em toda minha vida de educador, o que eu ofereço como mensagem é o respeito ao ser humano. Não adianta brigar por direitos humanos, contestando o que a ditadura fez, enquanto metade da população passa fome e crianças viram latas de lixo para encontrar comida; isso é um absurdo. A diferença entre um indivíduo que limpa o chão e um astrofísico é uma diferença de informação: aquele que limpa o chão aprendera muito pouco, mas é tão útil quanto o astrofísico e, portanto, tem direito a uma vida digna. Esse é o sentido da vida. Quando eu não me sentir mais útil, quando eu sentir que estou pensando só em mim mesmo, eu não terei mais direito de estar vivo