[Intro]
[Verse]
O sol desperta lento sobre o canavial
A marca no pulso é ferida de sal
O peito carrega um peso ancestral
Buscando a fresta no muro do quintal
Um sonho floresce no chão de barro
A alma não dobra nem sob o pigarro
[Verse]
As mãos calejadas colhem a esperança
Na dança das sombras a alma descansa
O vento sussurra uma velha lembrança
De terras distantes e pura confiança
A voz se cala mas o olhar resiste
Nesse horizonte que o medo desiste
[Chorus]
O amor é a chave que quebra a corrente
Um grito de vida no ventre da gente
A liberdade é o destino urgente
Semente que brota no solo ardente
Amor que liberta o corpo cansado
Deixando pra trás o tempo amarrado
[Verse]
A noite agasalha o plano de fuga
Na pele a história escrita em ruga
O rio que corre a sede enxuga
A sorte é um pássaro que a mata aluga
Não há senhor que domine o desejo
De ver o amanhã num doce lampejo
[Verse]
Nas senzalas o afeto vira o escudo
Um gesto sagrado num mundo mudo
O laço de sangue domina isso tudo
Caminho traçado em solo rudo
A força do abraço sustenta o passo
Rasgando o nevoeiro do frio cansaço
[Pre-Chorus]
O brilho da lua aponta a saída
A chama interna jamais é vencida
A dignidade enfim refletida
No espelho da alma e na própria vida
[Chorus]
O amor é a chave que quebra a corrente
Um grito de vida no ventre da gente
A liberdade é o destino urgente
Semente que brota no solo ardente
Amor que liberta o corpo cansado
Deixando pra trás o tempo amarrado
[Outro]