O Sorriso do Sol
Foi só um sorriso,
dessas coisas que acontecem sem querer,
um segundo perdido no tempo
que eu não sabia que ia guardar.
Moreno, sorriso aberto,
feito manhã depois da chuva.
Tinha alguma coisa nos teus olhos
que fazia a vida parecer mais bonita.
E eu nem sei se você percebeu,
talvez nunca tenha percebido,
mas aquele sorriso atravessou meu silêncio
e deixou meu mundo diferente.
Era o sorriso do Sol,
rasgando a distância entre nós.
Raios lilás atravessando a noite,
uma luz encontrando a minha voz.
Era o sorriso do Sol,
e eu só pude contemplar.
Sem tocar, sem pedir, sem prender,
só deixando aquela luz ficar.
Entre os teus raios havia lilás,
como se o céu escondesse um segredo.
E quanto mais eu tentava entender,
mais bonito ficava o mistério.
Não foi o toque da tua mão,
nem uma história que chegou a começar.
Foi só o jeito que você sorriu
e fez alguma coisa dentro de mim mudar.
Você continuou sendo você,
seguindo o caminho que era seu.
Sem saber que, do outro lado da distância,
um coração inteiro floresceu.
Era o sorriso do Sol,
que não nasceu para mim, eu sei.
Mas iluminou alguma coisa
que eu ainda nem conhecia em mim.
E talvez seja isso o amor:
não querer a luz só para a gente,
mas agradecer quando ela aparece
e deixa o mundo diferente.
Hoje, se eu lembro daquele sorriso,
não é para voltar no tempo.
É só porque algumas luzes permanecem
mesmo depois que termina o momento.
E se amanhã eu não te encontrar,
o dia ainda vai amanhecer.
Porque o Sol nunca soube
o quanto me ensinou a viver.
Era o sorriso do Sol.
E talvez ele nunca vá saber.
Mas há sorrisos que passam pela vida
sem saber o que fizeram florescer.
E entre a Lua e a distância,
eu aprendi a não procurar.
Guardei o brilho daquele sorriso
e deixei o Sol continuar a brilhar.