[Verse 1]
Chegou o telegrama lá no beco escuro
Num pedaço de papel rasgado pelo tempo
A letra trêmula do velho pai distante
Dizendo que a saudade já passou do tempo
Lá nos campos de Marajó o gado espalha
O vento traz o cheiro da terra molhada
E o velho capataz pergunta pelo filho
Que partiu pro sul levando a alma quebrada
[Chorus]
Pai, eu vejo o rio de águas turvas e profundas
Vejo o sol morrendo atrás da mata e das palmeiras
Mas aqui na Guanabara a vida é dura e fria
E o meu destino se perdeu nas corredeiras
Queria ver de novo a lua sobre a baía
O canto da curica anunciando o dia
[Verse 2]
Na tapera humilde onde a miséria habita
Marieta me abraça e chora em silêncio
Seu vestido remendado, seu olhar cansado
Sabe que o meu peito vive em tormento
Ela divide o pouco que a cidade nos dá
Um prato de saudade, um gole de amargura
Mas quando fecho os olhos, eu já não estou aqui
Eu ouço o boi toada curando a minha tontura
[Bridge]
O tambor retumba longe na floresta
Chamando o meu nome na ribanceira
Será que o velho pai ainda me espera
Antes que a noite apague a última fogueira?
[Chorus]
Pai, eu vejo o rio de águas turvas e profundas
Vejo o sol morrendo atrás da mata e das palmeiras
Mas aqui na Guanabara a vida é dura e fria
E o meu destino se perdeu nas corredeiras
Queria ver de novo a lua sobre a baía
O canto da curica anunciando o dia
[Outro]
Marieta... arruma a mala
Nós vamos voltar
Pro meu Marajó...
[Fade out on acoustic guitar]