Estou de joelhos,
olhando para o céu.
Não sei por que olho para cima.
Aqui embaixo eu já tentei.
Procurei quem conheço,
comecei a explicar.
Nem cheguei à metade,
já me mandavam confiar.
Confiar em quê?
Esperar até quando?
Enquanto dizem que vai passar,
eu continuo carregando.
Estou cansado.
É isso.
Não sei mais como dizer.
Até quando falo o que sinto
parece que preciso me defender.
Tem alguém ouvindo?
Deixa eu terminar.
Não precisa ter resposta,
só fica para escutar.
Não me diz que vai passar
antes de saber o que foi.
Eu já passo o dia inteiro
disfarçando o que me dói.
Quando caí,
levantei como deu.
Chorei sozinho,
ninguém percebeu.
Depois lavei o rosto,
saí para trabalhar.
Tinha coisa para fazer.
Não dava para parar.
E porque eu continuei,
acharam que estava bem.
Eu dava conta das coisas,
sem ter com quem contar.
Dizem: “Fique tranquilo.”
Eu queria conseguir.
Mas quem diz isso vai embora
e o problema fica aqui.
Tem alguém ouvindo?
Deixa eu terminar.
Não precisa ter resposta,
só fica para escutar.
Não me diz que vai passar
antes de saber o que foi.
Eu já passo o dia inteiro
disfarçando o que me dói.
Eu sei que estou repetindo.
Sei que já falei.
Mas me diz: quem ficou
para ouvir até o fim?
Não quero incomodar.
Olha eu pedindo desculpa
outra vez por precisar.
Até para dizer que dói
eu tenho que me controlar.
Olho para o céu.
Espero um pouco.
Nada.
Pego o telefone,
procuro alguém.
Escrevo que não estou bem.
Apago.
Começo outra vez.
Meus joelhos estão doendo.
Vou levantar devagar.
Se tem alguém me ouvindo,
eu ainda preciso falar.