O céu fechou,
uma tempestade começou,
e o mar se agitou.
O vento gritou mais alto que a esperança,
as ondas bateram contra os planos,
tudo parecia incerto.
Mas ali, no fundo do barco,
o impossível repousava.
Jesus dormia,
a tempestade estava acordada.
O barco balançava,
as ondas se levantavam,
e os corações dos discípulos
já naufragavam por dentro.
Acordaram o Mestre
como quem acorda a última chance.
Ele se levanta sem pressa,
não corre, não se assusta.
Repreende o vento
como quem silencia
um pensamento exagerado.
E ao mar diz apenas:
"Cala-te, aquieta-te."
E tudo obedece.
O que rugia, sussurra,
o que ameaçava, repousa.
"Cala-te, aquieta-te."
O vento conhecia Sua voz.
O mar reconheceu seu Criador,
e tudo se fez paz.
"Quem é este,
que até o vento e o mar lhe obedecem?"
Por que olhar para a tempestade
se estavam diante
daquele que a criou?
Mas a pergunta que fica no ar
não é para o céu,
é para o peito:
"Por que sois tão tímidos?
Ainda não tendes fé?"
Porque a tempestade, afinal,
nunca foi sobre o clima.
Era sobre um coração tempestuoso
esquecendo quem estava ali.
Mesmo quando o medo acorda,
Cristo continua presente.
"Cala-te, aquieta-te."
E o coração encontra paz.
A presença dEle no barco
vale mais que a ausência da tempestade.
"Cala-te, aquieta-te."
Se o vento ouvir Sua voz,
eu também ouvirei.
A presença dEle no barco
vale mais que a ausência da tempestade.