TEU AMOR É SÓ TEU
Amor é um instante de felicidade,
a certeza e o prazer de simplesmente estar.
Mas o amor que se assusta com a palavra do outro
só enxerga, nas entrelinhas, a dúvida e o magoar.
É um amor que vive em eterno suspense,
à espera da presteza, no tempo da atenção,
mas corre em velocidade na hora de sufocar.
O amor sem confiança é feito flecha:
acerta em cheio o coração,
absorve o impacto, mas não doa o perdão.
Aquele amor que não conhece o humor
devolve na boca a repulsa do que ouviu,
sem dar tempo para nenhuma explicação.
O amor quando é formal fica preso à medida do eu:
torna-se possessivo, rígido, estancado,
sem chance de voltar à leveza do que já foi seu.
E a informalidade do amor se rompe assim:
quando uma palavra mal posta vira agressão,
apagando os instantes belos que se viveu.
A paciência metódica não sabe aquecer;
não acende o amor nem com a chama de um fósforo.
Prefere um balde de gasolina para tudo queimar,
com pressa de acabar com a demora,
sem medir as consequências do que vai restar,
sem espaço para desculpas ou para perdoar.
É preciso ter a coragem de confiar.
É preciso doar a certeza de se fazer feliz,
lado a lado com quem sabe dizer, e sentir: