Chego no baile, trem sou eu, não tem freio
Luz piscando no muro, pista vira meu meio
Pisada marcada, o passinho corta o chão
No som da favela eu sou a locomotiva e a razão
Subo vagão lotado, geral no meu compasso
Dollar, fé e saliva — abraço o meu espaço
Perna rebola, sorriso solto, nego sorri
Quando eu passo pela rua, a quebrada diz 'aí!'
No jogo do desejo eu sou a composição
Te puxo pra perto, acelera o coração
Bate o grave, pele suada, lente que focaliza
Trem sou eu, chego quente, a noite eterniza
Risco no mapa, rima e treino, destino cravado
Tô pra frente, sem retranca, caminho traçado
Se a vida emperra eu dou corda e desço o morro
Sou trem, sigo, não paro — é suor, é ouro