[Chorus]
— Deu vinte e dois?
— Deu, mas não aceito!
— Falou treze?
— Já virou outro pleito!
No grupo de Itanhém, ninguém larga o celular
A democracia tenta e eles tornam a brigar
[Verse 1]
Eu leio tudo sozinha, respondo pra mim mesma
“Calma, gente”, eu digito; apago antes da pressa
O Zé chamou o compadre de traidor do churrasco
A comadre saiu do grupo e voltou com um áudio comprido
[Chorus]
— Deu vinte e dois?
— Deu, mas não aceito!
— Falou treze?
— Já virou outro pleito!
No grupo de Itanhém, ninguém larga o celular
A democracia tenta e eles tornam a brigar
[Verse 2]
Basta alguém escrever treze, começa a confusão
Tem figurinha, tem sermão, tem tio em caps lock na mão
“Respeita minha escolha!” “Respeita o resultado!”
E o velho amigo de infância já tá bloqueado
[Bridge]
Eu mastigo essa rusga, mas não vou engolir
A conversa fica presa, só faz se embolar
Quanto mais eles enrolam, mais difícil sair
E eu comigo: “não responde”… já comecei a digitar
[Verse 3]
Aí alguém solta: “O miliciano nem pegou os aviões ainda, gente!”
“Então dá tempo”, diz outro, com a calma de quem mente
Eu rio sozinha — que grupo, que novela
Minha tia manda um áudio de sete minutos: “Só esclarecendo ela…”
[Outro]
Treze!
Silêncio?
Nem pensar.
Eu fecho o grupo; ele volta a apitar
— Deu vinte e dois?
— Pergunta amanhã!