No desespero de querer ter e viver
Deixamos o tempo passar sem perceber
Deixamos de conviver, de nos aproximar
Só corremos atrás do que um dia sonhamos ganhar
Devíamos viver a vida de verdade
Cuidar da família, cultivar a bondade
Administrar tudo sem precisar dizer
E deixar o amor simplesmente florescer
Triste é ver quem perde a saúde pra trabalhar
E depois gasta tudo pra tentar recuperar
Chega a hora e a realidade vem bater
E não há mais nada que se possa fazer
Mansões, palácios, construídos com tanto suor
Depois da partida, ninguém lhes dá valor
Quem fica não consegue manter, não tem como segurar
Tudo se desfaz, devagar, sem parar
Tudo é ilusão… quanto mais se tem, mais se gasta
Quando a doença chega, o dinheiro não basta
Filhos acostumados a gastar sem saber
No dia da partida vão tudo vender pra sobreviver
No padrão que já não existe, tentam se segurar
Mas tudo se acaba, e a pobreza vem chegar
Tudo é ilusão… o ouro não fica, a casa cai
Só o amor que a gente plantou é que fica pra nós
O amor está na convivência, nos sorrisos que ficaram
Não se compra, não se vende, não se perdeu
Quando o leito chega, não dá pra voltar atrás
Nada muda o que já passou, o que não se fez
Casa grande, bonita, aos poucos vai abandonada
Ninguém quer comprar, ninguém quer cuidar
Custa caro manter, custa mais ainda reformar
Grandes nomes, brilho e glamour… só história pra contar
Palácios e lutas… no fim, pra quê?
Conquistamos o sonho só pra ver tudo desfazer
Não levamos paredes, não levamos nenhum bem
Só resta o amor — e nada mais, além