Dois Sóis
Vi a postagem de um conhecido,
e o Sol filmava outro Sol.
Sorri com a coincidência,
sem saber qual brilhava mais.
Se era o Sol iluminando a estrada,
espalhando seus raios pelo céu,
ou se era o outro Sol,
que segurava a câmera entre os dedos.
Dois sóis no mesmo instante,
dois brilhos diante do meu olhar.
Um iluminava o mundo inteiro,
o outro nem sabia o que fazia despertar.
O Sol caminhava entre as estrelas,
conversava sem perceber.
E a Lua passou tão de mansinho,
só querendo observar você.
Não era preciso um olhar,
nem uma palavra sequer.
Seu sorriso, perdido entre outras estrelas,
chegou onde ninguém pudesse ver.
E foi suficiente.
Porque há sorrisos que não procuram ninguém,
mas encontram alguém no caminho.
Há presenças que não sabem que iluminam
e deixam claridade por onde passam.
Hoje eu entendi que existem brilhos
que não precisam ser nossos
para fazerem bem.
O Sol não precisa saber da Lua.
A Lua não precisa tocar o Sol.
Há uma distância entre os dois
que também pode ser feita de luz.
Um aquece a pele.
Outro aquece a alma.
E eu tive a sorte, naquele dia,
de encontrar os dois no mesmo céu.
Talvez o universo tenha seus mistérios.
Talvez não precise explicar.
Só sei que, quando o Sol aparece,
alguma coisa dentro da Lua
começa a cantar.