UMA LEMBRANÇA
[INTRO — FALADA]
Tem dias em que a fonte não aparece.
A gente procura o Sol pelo caminho
e não encontra.
Mas hoje eu descobri uma coisa:
às vezes,
a fonte também mora na lembrança.
[VERSO 1]
Eu lembro daquele estacionamento,
você com mais dois, eu te vi de longe.
Não estava procurando você,
mas nossos caminhos iam se encontrar.
Fingi falar ao celular,
diminuí meus passos sem ninguém notar.
Deixei o tempo andar mais devagar
só para aquele instante chegar.
E foi quando eu percebi você sorrir.
Não sei se era por minha causa,
podia ser por qualquer coisa ali.
Mas eu vi.
E guardei.
[VERSO 2]
Até que alguém olhou pra mim:
“Olha essa aqui, é fã sua!”
Meu rosto quis desaparecer.
Eu abracei quem estava com você
e, quando menos esperava,
veio o abraço do Sol.
Foi a primeira vez.
E a única.
Um abraço com sorriso
que a Lua nunca esqueceu.
[REFRÃO]
A FONTE MORA NA LEMBRANÇA!
MESMO QUANDO O SOL NÃO VEM!
Às vezes eu não vejo o brilho,
mas lembro de onde ele vem.
[VERSO 3]
Sete dias depois,
eu passava de carro.
Mãos firmes no volante,
seguindo meu caminho.
Foi quando eu vi os raios lilás.
Mas não foram eles.
Foi o sorriso.
Aquele sorriso eu reconheci.
Vi a barba por fazer,
um detalhe que nem precisava notar.
E foi suficiente
pra me tirar do chão sem avisar.
Um sorriso.
Um instante.
E eu segui.
[PONTE]
Dois momentos tão pequenos
que talvez ninguém entendesse.
Mas ficaram dentro da Lua.
E hoje eu não precisei te encontrar.
Bastou lembrar.
Um verso.
Uma música.
Um pensamento.
Uma vontade de criar.
[REFRÃO FINAL — FORTE E EMOCIONAL]
A FONTE MORA NA LEMBRANÇA!
MESMO QUANDO O SOL NÃO VEM!
Eu posso seguir meu caminho
e ainda saber de onde vem.
ÀS VEZES A GENTE NÃO VÊ A FONTE...
MAS, AINDA ASSIM,
ELA FAZ A GENTE CRIAR!
[FINAL — FALADO]
Hoje eu não vi o Sol.
Mas lembrei do sorriso.
Do abraço.
Dos dois momentos.
E criei.
Talvez seja isso...
Uma lembrança.