Fica definido:
a pedra que nos estorva
vira pó no fim da noite,
quando os primeiros raios do sol
se confundem com o calar da lua.
Cambaleando lado a lado,
a sarjeta é meu anteparo,
o celular, meu companheiro.
Perdido dentro de mim,
já não sei onde me encontrar.
Na curva, um sinal de lucidez.
Holofotes começam a apagar.
Meu eu fugaz atravessa a noite
sem saber onde vai chegar.
Carreira sem carreira,
fumo sem cigarro.
Me perdi na noite
que amanheceu em mim.
Rua sem Bairro,
bairro sem cidade,
cidade sem estado,
estado sem país.
Quando tudo desaparece
e já não há para onde ir,
sou a unidade do eu,
o que restou de mim.
Alumínio encontra ferro,
mercúrio percorre o corpo.
Gozos perdidos no silêncio
profano da madrugada.
No contexto desse nexo,
ou da falta dele em mim,
corpo e alma se confundem
numa trilha desconexa
que não promete ter fim.
Uma aspiração com gosto de mato,
mato queimando na palma da mão.
Entre os dedos viram fumaça,
vira vento,
vira ilusão.
Corpo e alma ludibriados
no êxtase do nirvana.
Antecipo o carnaval.
A batida do candomblé
faz do peito um tambor.
Carreira sem carreira,
fumo sem cigarro.
Me perdi na noite
que amanheceu em mim.
Rua sem Bairro,
bairro sem cidade,
cidade sem estado,
estado sem país.
Quando tudo desaparece
e já não há para onde ir,
sou a unidade do eu,
o que restou de mim.
Olhos vidrados
num horizonte perdido.
Figuras dispersas
na certeza de não saber.
Coro de vozes.
Uma linha.
Um pulso.
Um último prazer.
Rua sem Bairro.
Bairro sem cidade.
Cidade sem estado.
Estado sem país.
Eu sem rua.
Eu sem cidade.
Eu sem estado.
Eu sem país.
Sem mapa.
Sem endereço.
Sem certeza.
Sem Deus.
Sou a unidade do eu.
O ser no vazio
do universo.
Eu.