Gostaria de entrar em silêncio por um tempo,
Habitar um casulo distante do sofrimento;
Não para mudar aquilo que sou,
Mas para curar o peso que em mim ficou.
Queria que o incômodo fosse arrancado,
Sem discursos prontos ao meu lado;
Que pensadores não me fizessem pensar,
Nem educadores viessem me ensinar.
Que as pessoas que juram estar comigo
Não transformassem afeto em castigo;
E que eu pudesse descansar sem temor,
Somente eu e Deus conversando sobre a dor.
Até que um dia, rompendo a madrugada,
Sua voz surgisse leve e iluminada:
“Pode acordar, meu filho… enfim mudou.”
Mas a utopia é o último sonho que restou.