A cidade perdeu o eixo
Mas continuou de pé
O relógio engoliu as horas
E perguntou que dia é
Uma rua virou esquina
Antes mesmo de acabar
Quem procura linha reta
Vai ter muito que andar
O equilíbrio anda bêbado
Na beirada do sinal
Toda curva tem um centro
Que não fica no final
Vértice
Nada fica onde caiu
Vértice
O futuro já partiu
Se o mundo gira ao contrário
Não vou pedir pra endireitar
Quem nasceu fora do eixo
Tem mais espaço pra girar
O passado troca a roupa
Toda vez que alguém contar
O futuro perde o ônibus
Antes mesmo de chegar
Tem um mapa sem legenda
E uma seta sem lugar
Toda porta que se fecha
Faz a parede respirar
O chão não é tão firme
Quanto gosta de parecer
Toda ordem tem um risco
Que ninguém consegue ver
Quando a última linha entorta
E o compasso sai do lugar
Não preciso de outro centro
Pra continuar a dançar
Vértice
Nada fica onde caiu
Vértice
O futuro já partiu
Se o mundo gira ao contrário
Não vou pedir pra endireitar
Quem nasceu fora do eixo
Tem mais espaço pra girar
Não preciso de outro centro
Pra continuar a dançar