[Verse 1 - Male]
Zé do Burro saiu cedo, no volante do busão,
Levava gente pra feira, cortando a curva do sertão.
Lá na frente, uma carroça, dois burrinhos no caminho,
Freou tarde, fez poeira, virou caso no vizinho.
[Verse 2 - Female]
Dona Rita viu de longe, pôs a mão na cintura:
“Zé, cuidado com a estrada, isso aí não tem bravura!”
Os burrinhos levantaram, sacudindo as orelhinhas,
Desde então, quando ele passa, se escondem nas moitinhas.
[Chorus - Duet]
Ô Zé do Burro, desce desse busão!
Burrinho vê teu volante e dispara pro rincão.
Ô Zé do Burro, vai devagar por aí,
Carroça tem preferência quando o jumento quer seguir!
[Verse 3 - Male]
Agora Zé vai a pé, chapéu baixo, passo manso,
Leva capim na sacola pra provar que não é ranço.
Mas os burros, lá do campo, reconhecem seu sapato,
Dão meia-volta ligeira e deixam Zé falando pro mato.
[Verse 4 - Female]
“Compra uma bicicleta, Zé, ou vai de jardineira,
Que os burrinhos fazem greve quando veem tua carreira!”
Ele ri, pede desculpa, dá bom-dia ao povoado,
E a carroça passa em frente com o caminho liberado.
[Chorus - Duet]
Ô Zé do Burro, desce desse busão!
Burrinho vê teu volante e dispara pro rincão.
Ô Zé do Burro, vai devagar por aí,
Carroça tem preferência quando o jumento quer seguir!
[Outro - Duet]
Se ouvir zurro na estrada, deixa o freio descansar;
Zé do Burro vai de carona — hoje não vai dirigir, não vai!