[Verso 1]
Tem um relógio escondido no vento
Que sopra baixinho dentro de mim
Leva um pedaço de cada silêncio
E junto com vento, trazem perguntas sem fim
As folhas conhecem caminhos secretos
Caem sorrindo sem reclamar
Mas eu abraço galhos secos
Tentando impedir o céu de mudar
[Pré-Refrão]
Se o inverno bater na janela
Será que a primavera volta igual?
Ou as flores aprendem, em segredo,
A nascer com outro tom?
[Refrão]
Não apaga a chama antes da manhã
Deixa o sol esquecer meu nome por mais um dia
Se o rio insiste em encontrar o mar
Por que eu tremo quando a corrente me guia?
Entre fumaça, poeira e luar
Guardo estrelas no bolso da camisa
Vai que o céu resolva fechar as portas...
E eu precise acender o meu.
[Verso 2]
Os retratos conversam baixinho
Quando ninguém resolve escutar
Cada moldura esconde um caminho
Que nunca consegue voltar
Existe um trem cruzando a distância
Sem perguntar quem ficou na estação
Eu finjo que não ouvi o apito
Mas ele conhece meu coração
[Ponte]
Talvez o horizonte não esteja fugindo
Talvez meus olhos tenham mudado de lugar
Mesmo assim...
Ainda conto nuvens
Como quem acredita
Que algumas nunca vão chover.
[Refrão]
Não apaga a chama antes da manhã
Ainda existe céu além da neblina
Se tudo um dia vestir outra cor
Que eu reconheça a luz por trás da tinta
E quando o vento chamar meu nome
Que encontre abrigo no que restou
Porque algumas coisas nunca envelhecem...
Só aprendem outro jeito de florescer.