(Verso 1)
Feche bem os olhos quando a luz aparecer,
Diga que o sol não brilha – que é um fio de luar;
Negue o que os dedos tocam, o que a pele pode sentir,
Crie palavras grandes para não entender o que é simples e pertinente.
Contemple o rio correndo e diga que ele está parado,
Acredite em quem grita alto, mesmo que esteja errado;
Não pergunte, não busque, não abra nem um livro,
A ignorância é conforto – um cobertor que te cobre e te aprisiona vivo.
(Refrão)
Este é o manual da ignorância, passo a passo bem claro,
Feche a mente, cegue o coração – não deixe o mundo entrar no seu lar;
Diga que o conhecimento é perigo, que a verdade é um laço,
Guarde suas certezas vazias – é o preço que se paga por não querer enxergar.
(Verso 2)
Crie muros entre si e os outros que vivem,
Diga que só o seu jeito é o caminho que vale a pena;
Negue que o ar é igual para quem tem ou não tem o que comer,
Acha que a sorte é escolha – que o fracasso é só de quem não quer lutar e vencer.
Veja as estrelas no céu e diga que são pontinhos de giz,
Não ouça quem explica como o universo se fez;
Acredite em mitos velhos que servem ao seu medo,
Não questionem nada – é assim que a ignorância se aloja e se fortalece de vez.
(Refrão)
Este é o manual da ignorância, passo a passo bem claro,
Feche a mente, cegue o coração – não deixe o mundo entrar no seu lar;
Diga que o conhecimento é perigo, que a verdade é um laço,
Guarde suas certezas vazias – é o preço que se paga por não querer enxergar.
(Final)
Há quem venda essa lição como se fosse uma bênção,
Quem ganha quando todos vivem em confusão e desunião;
Mas o manual tem uma página que ninguém quer ler,
Diz que a ignorância destrói o que a vida poderia ser.
O sol continua brilhando, mesmo que você não veja,
O rio segue correndo, mesmo que diga que ele está parado e chega;
A verdade não precisa de permissão para existir,
A ignorância só dura enquanto quem a escolhe se recusa a abrir os olhos e sentir.
O manual pode ser queimado – o caminho para a luz está aberto e esperando...