Há caminhos que levam tão longe,
Que até o coração parece esquecer...
Mas existem tesouros na vida
Que só o tempo nos deixa entender.
Na velha ponte de um engenho,
Dois destinos foram se encontrar.
Ele, um rapaz sem fortuna,
Ela, uma estrela a brilhar.
Mas o orgulho de um homem tão rico
Separou o que o amor uniu.
E levando uma dor no seu peito,
Pelos rios o jovem partiu.
Levou no peito uma lembrança,
Uma promessa e uma ilusão.
Foi buscar nas minas distantes
O valor que negaram ao seu coração.
Ô, tesouro do tempo, onde estás?
Nas montanhas, nos rios, no mar?
Atravessei tantas noites sozinho,
Sem deixar de sonhar em voltar.
Ô, tesouro do tempo, entendi:
Nem todo ouro consegue comprar
Os amores que a vida levou,
Nem os anos que não vão voltar.
Enfrentou a onça na mata,
A correnteza tentando arrastar.
Viu a febre levar companheiros,
Viu a morte de perto passar.
Quinze anos buscando riqueza,
Até que o ouro encontrou.
Mais seis anos seguindo os caminhos,
E à sua terra voltou.
Viu na ponte a mesma beleza,
Os mesmos olhos de outrora a brilhar.
Mas Helena já era saudade,
Que o tempo não podia entregar.
Era a filha daquela que amara,
Mariana, com seu próprio querer.
E nasceu entre os dois outra história,
Um amor que aprenderam a viver.
Ô, tesouro do tempo, encontrei
O que o ouro não pôde me dar.
No sorriso de um novo destino,
Outra vida aprendi a amar.
Ô, tesouro do tempo, afinal,
Tanta estrada me fez compreender:
A maior das riquezas do mundo
É ter alguém com quem envelhecer.
E na casa de duas janelas,
Novos sonhos vieram morar.
O homem que venceu a floresta
Descobriu seu tesouro ao amar...
Tesouro do tempo...
O amor que aprendeu a ficar.